domingo, 13 de setembro de 2009

"Bases militares querem esmagar movimento revolucionário"


A instalação de sete bases militares dos Estados Unidos na Colômbia reabriu o debate sobre o pretexto utilizado pelo país norte-americano para encobrir seu real objetivo na América Latina. O Plano Colômbia foi justificado como forma de combater o narcotráfico, já que a maior parte das drogas produzidas seria consumida nos EUA. Mas, de acordo com o coronel-aviador da Força Aérea Brasileira, Sued Castro Lima, a grande maioria das drogas consumidas nos EUA é produzida no próprio país.

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Para ele, a intervenção estadunidense na Colômbia serve para "promover o esmagamento dos movimentos populares ou revolucionários que surgem na América Latina e intimidar ou neutralizar iniciativas regionais autônomas nos campos econômicos e de defesa, como é o caso da União de Nações Sul-Americanas (UNASUL)".

Sued é engenheiro civil e já participou de diversas missões militares nos EUA, Israel, Argentina, Chile e Rússia. É membro fundador do Observatório das Nacionalidades, entidade de pesquisa ligada à Universidade Federal do Ceará (UFC) e à Universidade Estadual do Ceará (UECE). Leia, a seguir, a entrevista que Sued concedeu à Adital.

O que representa, para a América Latina, a instalação das bases militares na Colômbia? E para o Brasil?

Segundo o pensador francês Michel Foucault, um dos instrumentos do exercício do poder resulta da presença física do dominador. Através dessa presença, pode ostentar a força destruidora que lhe é própria, intimidando o mais fraco.

Já o estrategista britânico Liddell Hart, que viveu no século passado, considerava que um dos maiores objetivos estratégicos do comandante militar é o de ter acesso prévio ao mais amplo grau de conhecimento sobre as forças do virtual inimigo, como ocupam o terreno, como pensam, quem são seus chefes, como se preparam, enfim avaliar seus pontos fortes e suas vulnerabilidades.

A presença militar no território de potencial conflito armado ajuda a resolver bem tais questões, pois possibilita a observação e o acompanhamento dos acontecimentos que interessam ao potencial invasor, abrindo-lhe acesso a informações cruciais para o desencadeamento de seus eventuais propósitos de intervenção militar.

A concessão do governo de Uribe à instalação em território colombiano de sete bases militares operadas por milhares de soldados norte-americanos tem duplo efeito: fere a soberania de seu país e mina a União das Nações Sul-americanas (Unasul), com o seu Conselho de Defesa, ainda embrionários, filhos diletos da política externa e da estratégia de defesa regional desenvolvidas pelo governo Lula.

O senhor desconfia da justificativa dos EUA, que explicam a implantação das bases militares como mecanismo de combate ao narcotráfico na região. De que modo essas bases podem ameaçar a soberania dos países latino-americanos?

O argumento de fachada de combate ao narcotráfico há muito se perdeu. Desde que foi iniciado, no ano de 2000, o Plano Colômbia tem redundado em enorme fracasso. A produção de cocaína vem aumentando, exatamente porque aumentou o mercado, concentrado em sua maior parte no EUA.

Segundo o Washington Office for Latin America, órgão do governo dos EUA, o preço da cocaína no país caiu 36% nos últimos anos. A queda do preço é mais resultado do incremento da oferta do que de uma redução da demanda. Os EUA continuam sendo os maiores consumidores de cocaína do mundo, com 2,5% da população viciada na droga, algo em torno de 7 milhões de pessoas.

Da produção sul-americana que segue para os EUA, apenas 10% do lucro fica nos países produtores, enquanto 90% vão para as mãos das máfias que operam dentro dos EUA. São dados que indicam que o território onde deveria se travar o principal combate contra o narcotráfico é o próprio território norte-americano e não a selva amazônica.

Ainda sobre o tema droga, a Folha de São Paulo publicou (23/08/2009) uma informação surpreendente: durante a era Taleban (1996-2001), a produção de ópio foi totalmente desmontada no Afeganistão. O líder do grupo, mulá Mohammad Omar, considerava a droga "anti-islâmica", e ameaçava executar quem cultivasse a papoula. Atualmente, com a presença de tropas estrangeiras no país, a região é responsável pela produção de 70% do ópio no mundo.

Afinal, o que sobra evidente é que o combate ao narcotráfico na América Latina é apenas o que se chama em contra-informação de história-cobertura. Em 1986, Reagan incorporou à Doutrina de Segurança Nacional a National Security Decision Directive (NSDD), segundo a qual camponeses cultivadores de coca, militantes de esquerda, guerrilheiros marxistas, governos populares nacionais e grandes traficantes fariam parte de um estranho complô destinado a destruir a integridade e o poderio político dos EUA.

O tráfico funciona, assim, como pretexto para justificar ações militares destinadas a promover o esmagamento dos movimentos populares ou revolucionários que surgem na América Latina e intimidar ou neutralizar iniciativas regionais autônomas nos campos econômicos e de defesa, como é o caso da União de Nações Sul-Americanas (UNASUL).

Como o senhor avalia a postura dos países da América Latina diante da implantação dessas bases?

Identificam-se claramente dois tipos de postura: os lenientes e os resistentes. Formam no primeiro grupo os governos explicitamente de direita, como os da Colômbia, Peru, México e os golpistas de Honduras. Esses últimos sequer contam com o reconhecimento da esmagadora maioria da comunidade internacional de nações e dos órgãos multilaterais, como a ONU e a OEA.

No segundo grupo alinham-se o Brasil, Argentina, Equador, Venezuela, Bolívia, Paraguai, Uruguai, Chile, Cuba, Nicarágua, El Salvador e outros, constituindo uma ampla e significativa maioria, o que não deixa de ser um fato novo, comparado à situação que existia há poucas décadas, em que o alinhamento com os EUA se dava automaticamente.

Sob esse ponto de vista, merece destaque a política externa do Governo Lula, que tem marcado posição de qualidade nos principais litígios internacionais ocorridos recentemente.

Em nível mundial, qual tem sido o papel desempenhado nas bases militares estadunidenses? Como as nações mundiais têm encarado essa intervenção militar?

A estratégia global dos EUA reproduz o que é desenvolvido na América Latina. O império faz-se presente em grande parte do planeta explorando e oprimindo povos, impondo, enfim, sua vontade pela força da corrupção e das armas.

Esteve presente em praticamente todos os conflitos bélicos que ocorreram no planeta ao longo dos séculos XX e XXI. Levaram morte e destruição à Coreia, Vietnam, Laos, Iraque e Afeganistão, para citar apenas os eventos mais destacados, sem esquecer os ataques atômicos a Hiroshima e Nagasaki.

Atualmente, os EUA mantêm cerca de 820 bases em 60 países. Dispõem de um exército de 1,5 milhões de homens, dos quais 300 mil no exterior, sendo metade no Iraque e no Afeganistão. A outra metade espalha-se por outros países. O Grande Império do Norte gasta em seu aparato bélico o equivalente a 42% dos gastos militares globais, algo próximo a 610 bilhões de dólares.

Considero que as nações que não abdicam de sua soberania certamente repudiam tal estratégia de ocupação. Felizmente, o Brasil integra esse grupo de países e tem mantido firme ação diplomática de negação da presença hegemônica dos EUA nos países latino-americanos.

Fonte: http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=115483&id_secao=7


terça-feira, 8 de setembro de 2009

Deus e Diabo na Terra do Pré-Sal, por Daniel Thame



O que poderia ser (e é) a melhor notícia dos últimos anos para os brasileiros, com a descoberta e exploração de imensas reservas de petróleo na camada conhecida como Pré-Sal, está se transformando numa inacreditável queda de braço, que tem como pano de fundo o interesse eleitoral. Mais precisamente, as eleições presidenciais de 2010.


Confira o artigo na íntegra no jornal Pátria Latina.


A exploração do Pré-Sal, que insere o Brasil como um dos maiores produtores de petróleo do planeta, irá gerar recursos que, se aplicados como deseja o presidente Lula, contribuirão para reduzir as desigualdades sociais num país que, a despeito dos avanços dos últimos anos, tem gente que vive dentro de padrões europeus e norte-americanos e gente que sobrevive em condições africanas.
A exploração dessa riqueza deveria ser motivo de orgulho, unir o país e fazer, ainda que momentaneamente, com se esqueçam diferenças político-partidárias, que tantos danos vêm causando ao desenvolvimento do Brasil.
Deveria, mas não é motivo de orgulho, muito menos de união.
Ocorre justamente o contrário.
Como o início da exploração de petróleo depende de regulamentação e o processo passa necessariamente pelo Congresso Nacional, trava-se uma disputa em que o que menos interessa são os benefícios gerados pela extração das reservas localizadas no mar territorial brasileiro.
E o que mais interessa é a eleição de 2010.
Entra em cena, de novo, a dupla DEM-PSDB (este com seu apêndice, o PPS), disposta a emperrar a aprovação da regulamentação, por considerar o processo apressado e a proposta enviada pelo governo exageradamente nacionalista.
Nada a estranhar para quem entregou a Vale do Rio Doce, as empresas da telefonia, as companhias de eletricidade, tudo a preço camarada e ainda com financiamento público.
Mas, não é apenas isso.
Democratas, tucanos e seus penduricalhos partidários temem que o Pré-Sal traga dividendos eleitorais ao presidente Lula e por extensão à sua ungida para sucedê-lo, a ministra Dilma Roussef. Que, além de petróleo, jorrem votos em profusão, capazes de manter o PT mais quatro anos no Palácio do Planalto.
Daí que é melhor deixar o petróleo quietinho nas profundezas do oceano, adiando sua exploração para 2011, 2012, quem sabe não apenas pela brasileira Petrobrás, mas também por empresas estrangeiras, que o tal neoliberalismo, que muitas vezes não apenas rima mas também se confunde com entreguismo, existe é para isso mesmo.
Dane-se que os excluídos continuem excluídos, que a saúde e a educação continuem capengando, já que a se preservar a proposta de Lula, parte dos recursos gerados pelo Pré-Sal serão carreados para esses setores.
O que importa é a política, sempre a política, naquilo que ela tem de pior.
Dane-se, também, o povo brasileiro, que acaba sendo a vítima dessa batalha entre Deus e o Diabo na Terra do Pré-Sal.

fonte: http://www.patrialatina.com.br/editorias.php?idprog=6fb52e71b837628ac16539c1ff911667&cod=4727


"Não aguento mais viver nesta miséria!"
(Manuel, em "Deus e o Diabo na Terra do Sol" - Glauber Rocha)

Sim, o Brasil tem pressa no Pré-Sal


Apesar do esperneio sem argumento da oposição, o presidente Lula felizmente está disposto a manter o regime de urgência constitucional para a tramitação dos projetos que regulamentam a exploração do petróleo da camada de pré-sal. Uma boa notícia. Sim, porque o Brasil tem - e está correto em ter - urgência em definir o novo marco regulatório e agilizar os procedimentos para iniciar, o quanto antes, a exploração de um recurso que pode sustentar avanços civilizacionais de fundo no país.

http://www.ujs.org.br

O consórcio oposição-mídia hegemônica brada contra a urgência sob o argumento de que o governo demorou mais de um ano para elaborar os projetos e, agora, quer impor celeridade aos debates congressuais, o que seria uma maneira de cercear opiniões divergentes.

A queixa, no entanto, não procede. Para começo de conversa, a Lei do Petróleo de FHC (Lei 9478/97) foi votada em regime de urgência constitucional. E, pior, tratando de tema espinhoso e prejudicial aos interesses nacionais, no caso a quebra do monopólio do Estado no petróleo.

Depois, que os debates governamentais sobre o novo marco não foram realizados propriamente às escondidas. Desde o anúncio da descoberta das reservas do pré-sal que farto noticiário tratou do tema e discutiu, publicamente, as possibilidades em estudo - concessão ou partilha, criar ou não uma nova estatal, a questão do fundo social, a proposta de recapitalização da Petrobras, além da interminável controvérsia sobre os royaltes. Ou seja: ninguém pode dizer que foi pego de surpresa com os quatro projetos enviados.

Depois, 90 dias não são 90 minutos. Caso queiram contribuir com as discussões, é tempo suficiente para realizar audiências públicas, consultar especialistas, analisar os modelos de outros países. Por outro lado, a tradição de matérias complexas e de interesses múltiplos lançadas ao Congresso sem maior empenho do executivo, é de trânsito lento e resultado incerto - que o digam as inúmeras tentativas de reforma política, tributária e outras.

Mas o problema em questão não é de tempo, muito menos de exercício legislativo. O que não quer a oposição é que as propostas estejam em evidência em 2010 - ou antes - para que o governo não recolha os frutos eleitorais de uma agenda tão positiva para o Brasil. Além disso, como o governo escolheu um eixo patriótico nesta questão, para os privatistas convêm a tática do deixa-como-está.

Em suma, para tucanos, demos e apêndices os interesses nacionais que se subjuguem aos seus desesperos políticos. Mas o Brasil não pode esperar e deve, sim, ter pressa no pré-sal.

Fernando Borgonovi é diretor de Comunicação da UJS



segunda-feira, 7 de setembro de 2009

"O PRÉ-SAL: modelo de soberania e desenvolvimento ou uma nova privatização?"

Lula fala de pré-sal como 2ª independência e convoca sociedade

No pronunciamento que fez à Nação na noite deste domingo (6), em cadeia de rádio e televisão, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que a participação popular é fundamental para o fortalecimento da democracia. E chamou a sociedade para debater junto com o Congresso o novo modelo de exploração do petróleo da área do Pré-sal proposto pelo governo.

No tradicional pronunciamento feito para saudar o Dia da Independência, Lula disse que sua mensagem seria diferente da dos anos anteriores, que tinham o objetivo de enaltecer o passado para pensar o presente. De acordo com o Presidente, o pronunciamento dedicado ao 7 de setembro neste ano seria para festejar o futuro e celebrar uma nova independência, que tem o nome de Pré-sal e a forma dos projetos enviados esta semana ao Congresso, que tem como conteúdo a mudança na regulamentação da exploração de petróleo e gás para que esta riqueza seja corretamente utilizada para o bem do Brasil e de todos os Brasileiros.

“É comum que o 7 de setembro sirva para a gente enaltecer o passado e pensar o presente. Desta vez é diferente: este é o 7 de setembro do Brasil festejar o futuro. De celebrar uma nova independência. Esta nova independência tem nome, forma e conteúdo. Seu nome é pré-sal”, diz no início de seu pronunciamento de cerca de 12 minutos.

Lula clama a população a acompanhar as discussões do novo marco regulatório elaborado pelo governo e aproveita para criticar a oposição, que faz obstrução na Câmara como protesto ao regime de urgência dos quatro projetos enviado esta semana ao Congresso.

“Peço a cada um de vocês que acompanhe passo a passo as discussões destas leis no Congresso. Que se informe, reflita, e entre de corpo e alma nesse debate tão importante para os destinos do Brasil e para o futuro de nossos filhos e netos. (...) O embate e a paixão política fazem parte do universo democrático, mas não podemos deixar que interesses menores retardem ou desviem a marcha do futuro. Uma democracia só se fortalece com a participação da sociedade. Por isso se mobilize, converse com seus amigos, escreva pra seu deputado, seu senador, pra que eles apoiem o que é melhor para o Brasil”.

“Dádiva de Deus”

Assim como no evento de lançamento do novo marco na segunda-feira, o presidente chama a descoberta do pré-sal de “dádiva de Deus”, mas novamente alerta para os perigos dela se transformar em uma “maldição” caso os recursos obtidos com sua exploração sejam mal aplicados.

“O que deve fazer um povo livre, responsável e soberano ao receber tamanha dádiva de Deus? Garantir que esta riqueza não escape de suas mãos, buscar os meios mais eficientes de explorá-la e modernizar suas leis para não repetir os erros de outros países. A história tem mostrado que a riqueza do petróleo é uma faca de dois gumes. Quando bem explorada, traz progresso para o povo. Quando mal explorada, ela traz conflitos, desperdícios, agressão ao meio-ambiente, desorganização da economia e privilégios para uns poucos. Assim, alguns países pobres, ricos em petróleo, não conseguiram jamais sair da miséria”.

Investimento na Petrobras

Usando um argumento que deverá ser recorrente no discurso petista durante as eleições do ano que vem, Lula defende que foi seu governo que tornou possível a descoberta do pré-sal ao aumentar os investimentos da União na Petrobras.

“A Petrobras chegou aí, entre outros motivos, porque este governo acreditou e investiu, dando condições para que ela aumentasse a produção, encomendasse plataformas, sondas, modernizasse e ampliasse refinarias, treinasse e contratasse funcionários. Além de construir uma grande infra-estrutura de gás natural e entrar na área de biocombustíveis. O coroamento deste esforço foi exatamente a descoberta, pela própria Petrobras, das reservas do pré-sal. Um feito extraordinário, que encheu de admiração o mundo e de orgulho os brasileiros”.

Partilha de exploração

O presidente também saiu em defesa do regime de partilha de exploração das reservas proposto no novo marco e classificou como um “erro grave” a manutenção do sistema de concessão.

“A principal mudança que estamos propondo é que, nas áreas ainda não exploradas do pré-sal, passe a vigorar o modelo de partilha. (...) O modelo de concessão, que foi adotado em 97, não se adapta a nova situação. Seria um erro mantê-lo no pré-sal. Um erro grave. Ele foi implantado quando não sabíamos da existência de grandes reservas e o País não tinha recursos para explorar seu petróleo”.

Veja, ouça e leia a íntegra do pronunciamento de Lula para o Dia da Independência.

http://www.youtube.com/watch?v=NiCRjvVIIHY&eurl=http%3A%2F%2Fwww.vermelho.org.br%2Fnoticia.php%3Fid_secao%3D1%26id_noticia%3D115176&feature=player_embedded

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Há 40 anos morria o líder vietnamita Ho Chi Mihn



Ho Chi Minh, um dos grandes revolucionários, estrategistas militares e estadistas do século 20, nasceu em 19 de maio de 1890 na província de Annam, tendo falecido em 2 de setembro de 1969 em Hanói, capital do Vietnã. O seu nome verdadeiro, Nguyen Sinh Cung, ficou pouco conhecido.

Ele era pródigo em pseudônimos, usados para despistar inimigos. Quando se alistou no navio que o levou à Europa, usou Nguyen Van Ba. Já na liderança do Partido Comunista da Indochina, criou o jornalista Tran Dan Tien, para se auto-entrevistar e divulgar as suas ideias. O apelido Ho Chi Minh possui duas acepções. Muitos defendem que este era o nome de um mendigo. Outra corrente afirma que Ho Chi Minh significa "aquele que traz a verdade" ou "aquele que ilumina", e por isso foi escolhida como alcunha oficial.

Em 1911, começa a trabalhar como cozinheiro num navio francês, visitando o mundo todo, inclusive o Brasil. Instala-se em Londres em 1915. Com 21 anos, parte para a França, onde vive como jardineiro e garçom. Envolve-se com os movimentos socialistas franceses e, em 1920, ajuda a fundar o Partido Comunista Francês. Em 1923 vai para Moscou estudar táticas de guerrilhe e entra para o Comintern, seção internacional do Partido Comunista bolchevique. Dois anos depois, é enviado para a China, de onde é expulso em 1927. Em Hong Kong passa a dirigir o movimento antiimperialista na Indochina, dominada pela França desde 1854. Em 1941 funda a Liga pela Independência (Vietminh), para lutar contra os franceses.

Durante a Segunda Guerra Mundial, utiliza a guerrilha no combate aos japoneses, invasores da Indochina. Ao fim do conflito, forma um Estado independente ao norte da região, o Vietnã. A França contra-ataca e a Guerra da Indochina só termina em 1954, com a vitória do Vietminh. O país é dividido em dois. Ho Chi Minh, presidente do Vietnã do Norte, treina e apoia as forças da Frente de Libertação Nacional do Vietnã do Sul (Vietcong), que visam reunificar o país, o que leva à Guerra do Vietnã. Em 30 de abril de 1975 um tanque norte-vietnamita entrou no palácio presidencial do regime sul-vietnamita em Saigon, (hoje Ho Chi Minh), apoiado pelos Estados Unidos, encerrando mais de dez anos de sangrento conflito.

Dois dos grandes momentos da vida de Ho Chi Minh foram sua vitória sobre os franceses na Batalha de Dien Bien Phu e a vitória sobre os Estados Unidos na Guerra do Vietnã.

O comandante das tropas francesas no Vietnã, general Navarre, havia construído uma fortaleza em Dien Bien Phu para conter a rota de fuga dos vietnamitas para o Laos e forçar uma batalha frontal. Em contrapartida o general Vo Nguyen Giap (ainda vivo com 99 anos), braço direito de Ho Chi Minh, em brilhante estratégia, cercou a fortaleza de Navarre com trincheiras. O combates tiveram ínicio em março de 1954 e mais de 70 mil soldados do Vietnã acabaram encurralando o inimigo. Os franceses foram atacados pela artilharia, enquanto seus helicópteros e aviões eram alvos de baterias anti-aéreas. A resistência durou 57 dias. Mais de sete mil soldados franceses morreram e 11 mil foram capturados. A França estava totalmente derrotada.

A Guerra do Vietnã que perdurou por quinze anos, marcada por façanhas heroicas e tragédias, que a literatura, o noticiário e a cinematografia ressaltaram, alcançou proporções catastróficas. Cerca de dois milhões de vietnamitas, soldados e civis, pereceram. Os Estados Unidos perderam 58.224 soldados e, ainda, levaram para casa mais de 150 mil feridos.

Fonte: www.vermelho.org.br